Estamos em isolamento. Lemos livros há tempos adiados, tratamos das plantas, fazemos exercício físico e meditação. Socializamos com videochamadas. Trabalhamos a partir de casa e as aulas dos nossos filhos são pela internet. Mas há coisas que não mudam: quem está agora a iniciar a diversificação alimentar partilha as dúvidas e receios de sempre. Que alimento dar primeiro? Que quantidades? Tudo triturado ou em pedacinhos? Será que se vai engasgar? Dou água pelo copo ou colher? A nossa Nutricionista deixa aqui conselhos práticos para quem está a passar agora por esta etapa.

A diversificação alimentar é caracterizada pela introdução progressiva de outros alimentos, para além do leite (materno ou fórmula), com redução gradual do volume deste e até à introdução na dieta familiar. (DGS “Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos – Linhas De Orientação Para Profissionais E Educadores”)

É no primeiro ano de vida que os bebés contactam com outros alimentos para além do leite materno, moldando-se preferências. A forma como este contacto ocorre vai “programar” o comportamento do bebé perante os alimentos no futuro, bem como a relação saúde/doença para toda a vida.

Devem ser oferecidos ao bebé apenas alimentos da cadeia alimentar, que respeitem os ciclos da natureza mas, também, a cultura e tradições da sociedade. Não devem fazer parte da sua alimentação alimentos processados, nem doces ou salgados, nem deve ser adicionado sal ou açúcar à confeção culinária.

Aspetos práticos, CONFIRA AQUI!!

– Respeitar a maturidade neuromotora de cada bebé: ele deve alimentar-se sentado, inicialmente à colher (alimentos pastosos) e posteriormente das duas formas: à colher e deixando que ele pegue nos alimentos e os leve à boca, num processo interessante de exploração!

– Introduzir alimentos novos, sequencialmente, com intervalos de 2-3 dias. Esta fase é UMA VERDADEIRA JANELA SENSITIVA, em que o treino de paladares e texturas deve ser fortemente explorado, de forma a garantir a aceitação de todos os alimentos (e evitar a neofobia alimentar: recusa de alimentos novos).

– Iniciar a diversificação alimentar com um creme de legumes tem como vantagem proporcionar um maior treino de paladar e texturas (e, ao mesmo tempo, contrariar o excesso de peso ou obesidade).

– A partir do sexto mês, deve oferecer-se carne ou peixe (este, um pouco mais tarde), numa pequena porção que se assemelhe à sua palma da mão. Sugere-se oferecer carne 4 vezes por semana e, peixe, apenas 3 vezes. O ovo pode ser introduzido a partir dos 8-9 meses de idade, podendo ser oferecido inteiro até 3 vezes por semana, em vez da carne ou do peixe.

– A textura dos alimentos deve ser progressivamente menos homogénea, de forma promover o treino da báscula, aos 7 meses, e mastigação de alimentos moles aos 8 meses (açordas, por exemplo) esta é uma VERDADEIRA JANELA MOTORA, a qual deve ser explorada para evitar que o bebé seja preguiçosa e resista aos sólidos.

– Não oferecer bolachas, enchidos, snacks salgados, sumos, mel, açúcar, nem usar sal na confeção de alimentos até ao fim do primeiro ano.

– Oferecer frequentemente água ao bebé; não oferecer sumos, naturais ou artificiais ou, mesmo, chá ou infusões. Após a fase do biberon, dê à colher e depois experimente o copinho.

Aproveite, está é uma fase do desenvolvimento maravilhosa.

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