Voltamos a este tema, porque a introdução alimentar é uma etapa emocionante, mas também repleta de dúvidas. E entre as questões mais frequentes está o receio de oferecer alimentos como ovo, peixe ou amendoim, por medo de desencadear uma alergia.
A boa notícia é que o conhecimento científico nesta área evoluiu significativamente nos últimos anos e trouxe recomendações diferentes daquelas que eram seguidas no passado.
Afinal, o que são alergias alimentares?
Uma alergia alimentar acontece quando o sistema imunitário reage de forma exagerada a uma proteína presente num determinado alimento. Essa reação pode manifestar-se através de sintomas ligeiros, como vermelhidão ou urticária, ou, em casos mais raros, provocar reações mais graves que necessitam de assistência médica imediata.
Embora qualquer alimento possa causar alergia, existe um grupo responsável pela maioria dos casos.
Os principais alimentos alergénicos são:
- ovo
- leite e produtos à base de leite
- amendoim
- frutos de casca rija
- pescado
- crustáceos e moluscos
- cereais contendo trigo
- soja
- sementes de sésamo
- aipo
Devemos esperar para oferecer estes alimentos?
Atualmente, a resposta é não.
As recomendações internacionais baseadas na evidência científica indicam que adiar a introdução destes alimentos não reduz o risco de alergias em bebés saudáveis. Pelo contrário, a exposição aos alimentos alergénicos durante a fase de introdução alimentar parece favorecer o desenvolvimento da tolerância do sistema imunitário.
Assim, quando o bebé reúne os sinais de prontidão para iniciar a alimentação complementar, estes alimentos podem ser incluídos na sua alimentação, sempre de forma adequada à idade e à capacidade de mastigação.
A consistência também é importante
Um aspeto menos conhecido é que a introdução de um alimento não termina no primeiro contacto.
Depois de confirmado que o bebé o tolera bem, é aconselhável que esse alimento continue a fazer parte da alimentação habitual. Esta exposição regular parece contribuir para que o organismo mantenha essa tolerância ao longo do tempo.
Como introduzir os alimentos alergénicos de forma segura?
Algumas recomendações simples podem ajudar os pais nesta fase:
- introduzir apenas um alimento novo de cada vez;
- oferecer pequenas quantidades na primeira exposição;
- preferir o período da manhã ou do almoço, quando é mais fácil observar o bebé nas horas seguintes;
- adaptar sempre a textura à idade, evitando alimentos que aumentem o risco de engasgamento, como frutos secos inteiros;
- manter o alimento na alimentação se for bem tolerado.
Existem bebés que necessitam de cuidados especiais?
Sim. Crianças com eczema moderado a grave, alergias alimentares já diagnosticadas ou outras situações clínicas específicas podem necessitar de um plano de introdução alimentar personalizado.
Nestes casos, o acompanhamento pelo pediatra ou nutricionista é fundamental para garantir que a introdução dos alimentos é feita de forma segura.
Alimentação variada: um aliado do desenvolvimento
A alimentação complementar é muito mais do que satisfazer as necessidades nutricionais. É nesta fase que o bebé começa a construir a sua relação com os alimentos, os sabores e as texturas.
Quanto maior for a diversidade alimentar, respeitando sempre a idade e o desenvolvimento da criança, maiores serão as oportunidades para criar hábitos alimentares saudáveis que poderão acompanhá-la ao longo da vida.
Em suma
Os alimentos alergénicos deixaram de ser encarados como alimentos a evitar durante a introdução alimentar. Hoje sabemos que, na maioria dos bebés saudáveis, a sua introdução na altura adequada e a sua presença regular numa alimentação variada podem favorecer o desenvolvimento da tolerância alimentar.
Na Petit Papão, acreditamos que informar os pais com base na evidência científica é tão importante como oferecer refeições equilibradas e nutricionalmente adequadas. Porque uma diversificação alimentar segura começa com conhecimento, confiança e escolhas conscientes.